Month: setembro 2019

A comparação da dor

Quando utilizamos uma cena de desgraça ou sofrimento como comparação com a situação de alguém que consideramos estar reclamando sem motivos, com intuito de mostrar que este não deveria reclamar por estar em melhor situação que o exemplo utilizado, estamos cometendo duas injustiças.

A primeira, julgar o sofrimento de alguém sem lançar mão de empatia e compaixão.

A segunda, por impor a essa pessoa sofrimento ainda maior, induzindo-lhe a sentir culpa pela infelicidade de outro, sem que ela nada tenha feito que contribuísse com tal cenário.

Não há dor maior do que aquela que cada um está sentindo naquele momento. Dores não são comparáveis e, portanto, não se julgam, sendo elas físicas ou não.

Somente um olhar empático faz de nós, seres humanos, instrumentos de cura.
Não viemos para julgar, viemos para amar.

D.C.B
Imagem: Pixabay

O processo do despertar

Talvez você não se sinta desperto ainda, talvez esteja acreditando que em algum momento acontecerá algo extraordinário que te puxará para estados de consciência elevados e te possibilitem alcançar milagres. Talvez você se frustre porque aparentemente nada acontece. Talvez você entre numa busca frenética por aprendizados sobre como desenvolver habilidades extrassensoriais, desbloquear a pineal, fazer projeções, contactar seres de outras dimensões, co-criar o que deseja ou salvar o mundo dos opressores e do sistema. Talvez você faça cursos e leituras infinitas. Talvez você por fim compreenda que nada disso é o que realmente importa ou signifique que está realmente despertando. Talvez você não esteja dormindo.

Há muitas possibilidades num processo de expansão. Mas a expansão de consciência está na compreensão de que não é necessário fazer nada de extraordinário. A busca pelo extraordinário é apenas mais uma forma de saciar os anseios do ego distorcido. A expansão se dá pela aceitação do que é. Pela compreensão e permanência no agora. Pelo manter-se consciente e não através de viagens no inconsciente.

Tudo o que você precisa para se tornar desperto é amar a temporária condição humana, a simplicidade, a possibilidade de experienciar a fisicalidade com total entrega. Perceba como a natureza se comporta. Nada de extraordinário pode vir de uma flor, exceto sua incalculável beleza de ser exatamente como é. Ela nada faz e, no entanto, contém em si todo o código da manifestação do universo.

Seja como a flor. Cesse a busca, a luta, a necessidade de manifestar algo. A existência quer viver através de você. Seu coração é o seu maior guia. Entregue-se ao milagre de estar humano, aproveite a paisagem, ame as pessoas, a natureza, os acontecimentos sem julgá-los como bons ou ruins. Adote a postura do não julgamento, e a paz se instalará no seu interior. E ao se sentir em paz, as mais incríveis manifestações começarão a surgir. Porque nenhum milagre pode ocorrer dentro da resistência ao que é. Mas todos os milagres podem acontecer quando se está permitindo o Todo existir através de nós. Permita-se.

D.C.B.
Imagem: arquivo particular

O templo sagrado

Depressão é um passaporte que dá acesso a uma viagem para um mundo desconhecido e assustador. É nesse mundo que o viajante se depara com suas mais temidas sombras. Ele é desafiado a encarar, compreender e aceitar cada uma delas como partes de seu próprio ser. Um processo lento e doloroso de descoberta e reencontro com sua essência. Inseparáveis: luz e sombra, coexistindo sem serem julgadas ou reprimidas.

Caso tenha compreendido o processo, ao final dele, luz e sombra se complementam e revelam uma linda construção arquitetônica, um espaço sagrado que apenas aguardava o retorno de sua única divindade: seu Eu Superior. O templo sagrado da sua chama divina onde se encontra toda a fonte de vida e sabedoria. E então, tendo retomado o poder e a consciência de quem é, o viajante pode retornar ao mundo exterior para continuar sua jornada.

Mas o templo continua lá: indestrutível, perfeito, acolhedor, seguro e reconfortante, aguardando seu retorno a qualquer momento que desejar.
O mundo real é o que está dentro. O exterior é apenas uma participação especial que fazemos num mundo irreal onde temporariamente compartilhamos nossa essência com outras almas também divinas, vivenciamos experiências para a nossa expansão consciencial, e com isso contribuímos com a expansão da própria consciência universal da qual somos parte inseparável.

Com amor,

D.C.B.
Ilustração: Denise Bruno
O templo sagrado - árvore do amor - depressão

Sua essência

As pessoas dirão que você precisa de cura, e te oferecerão soluções para que se torne "normal", mas elas dizem isso apenas para aliviar o próprio incômodo que têm ao se depararem com alguém que não está encaixado no padrão que elas consideram ideal.

Ser quem somos não requer cura alguma, exceto se nós quisermos isso, ou se estivermos fazendo mal efetivo a alguém por sermos assim.

Antes de tentar buscar a cura para algo que incomoda as outras pessoas ou a você mesmo, mergulhe profundamente no seu interior e verifique se a tal 'cura' irá matar algo que é parte de sua essência e primordial para sua missão de alma. E ainda que ela não seja, essa sombra que se manifesta através de uma característica de sua personalidade está ali porque tem algo a dizer, ela traz um alerta, uma mensagem importante que precisa primeiro ser vista, compreendida, aceita e aí sim, se for de sua vontade, transformada.

D.C.B
Ilustração: Denise Bruno

O Plano Maior

Estamos para o planeta Terra assim como as células estão para o nosso corpo. Fazemos parte de um sistema biológico que tem vida e consciência própria. Nossa única função, enquanto seres humanos, é compor esse organismo sendo exatamente quem somos.

Viemos em missão para ancorar luz ao planeta, que por sua vez é uma pequena partícula que compõe o universo. Ainda que essa afirmação faça parecer que somos insignificantes, ela demonstra que somos parte de um Plano Maior, onde não há nada nem ninguém separado, excluído ou abandonado. Seja o ser único que você veio para ser.

D.C.B

Créditos da imagem: Pixabay (editada)
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